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  • 28Jan
  • Informativo

EXAMES LABORATORIAIS EM COVID-19

1-TESTES VIROLÓGICOS

  • Métodos Moleculares
  • PCR para Coronavírus
  • LAMP
  • CRISPR/Cas
  • Métodos Não Moleculares
  • Detecção de Antígenos Virais Formato Teste Rápido
  • Detecção de Antígenos Virais Formato Analisadores

2-TESTES IMUNOLÓGICOS – PESQUISA DE ANTICORPOS

  • Testes Rápidos para anticorpos contra Coronavírus
  • Testes Sorológicos
  • Pesquisa de Anticorpos Neutralizantes

 

1-TESTES VIROLÓGICOS

Detectam a presença do vírus em amostras biológicas.  São essenciais para o diagnóstico determinar se um indivíduo está infectado.

Vale ressaltar que muitas pessoas podem ter infecções assintomáticas, ié com PCR positivo (em até 40% em indivíduos jovens).  Além disso, nem todos os contactuantes se positivam ao mesmo tempo, sendo a discordância entre casais de até 50%, em alguns estudos.

Quem testar

O iacs recomenda o teste virológico para indivíduos sintomáticos ou, aquelas situações de alto risco para indivíduos susceptíveis.

Quando testar

O vírus já é detectável 2 dias antes dos sintomas e permanece positivo por até 14 dias, mas em alguns indivíduos perdura por mais de 2 meses.  O pico da carga viral parece ser perto do 3º ao 5º dia após sintomas, variando de acordo com o tipo de amostra (sítio) onde foi feita a coleta.  Após o 10º dia do início dos sintomas há uma queda da carga viral e da contagiosidade e a coleta não é mais recomendada para diagnóstico de infecção (exceto em internados graves).

Amostras biológicas recomendadas (vírus em altas concentrações):

  • swab/esfregado de naso e/ou orofaringe (melhor amostra do 1º ao 7º dia)
  • saliva (sensibilidade em comparação à nasofaringe ainda é controversa)
  • escarro, aspirado traqueal ou lavado bronco-alveolar (pacientes graves/ internados).

Vários métodos de testes virológicos podem ser usados:

MÉTODOS MOLECULARES

Detectam porções do material genético viral dos genes virais, escolhidos de acordo com o protocolo/kit usado.

PCR em Tempo Real (RT-PCR)

É o método mais sensível. Detecta a partir de 100 copias/mL = Limite Inferior de sensibilidade (LoD).

Há diferentes formatos possíveis.  Após a amplificação inicial de segmentos do RNA viral, sua detecção se dá por sondas fluorescentes.  O resultado é semi-quantitativo, em unidades de Ct (ou MR), e inversamente proporcional à quantidade da carga viral: quanto menor o Ct, maior a quantidade de vírus (e vice versa).  A sensibilidade clínica é > 97,5%, para amostra colhida no momento correto.

LAMP (Amplificação Isotermica) Teste Rápido Molecular

É um pouco menos sensível que o PCR (detecta a partir de 125 cópias/mL = Limite inferior de sensibilidade  = LoD).  Permite uso de equipamentos “à beira do leito”, resultados em 30 min, mas processam só uma amostra de cada vez (30 min/amostra).  Sensibilidade clínica ~ 90% do PCR.

CRISPR/Cas

As enzimas (CRISPR/Cas) reconhecem segmentos genômicos virais sem a amplificação prévia de genes virais.  Se estima que sejam menos sensíveis que o PCR, mas muito mais baratos.  Ainda não são disponíveis comercialmente.

MÉTODOS NÃO MOLECULARES

Detecção de Antígenos Virais

É o menos sensível dos métodos virológicos (Limite inferior de sensibilidade ~ 10.000 copias/mL), mas o mais barato.  Neste teste, a proteína viral “N” é detectada por anticorpos ligados a um marcador, que gera um sinal colorido na superfície de aplicação da amostra.  Há diferentes formatos do teste:

  • Formato Teste Rápido (método imunocromatográfico ou LFA) “à beira do leito” (~ 15 min), onde resultado não é quantificado e a interpretação pode ser subjetiva.
  • Formato de Analisadores (método com sinal quimioluminescente ou Eletroquimioluminescente). Resultado semi-quantitativo e mais reprodutível.

Indicados para sintomáticos ou em surtos.  Não usar mais de 5 dias após o início dos sintomas.  Resultados negativos em presença de suspeita clínica relevante devem ser confirmados com um teste molecular.  Mutações na proteína N podem alterar a sensibilidade do teste.

2-TESTES IMUNOLÓGICOS – PESQUISA DE ANTICORPOS

Anticorpos são formados dias após o início da infecção e ajudam a combater o vírus.  Indivíduos com títulos altos de anticorpos frequentemente não terão mais o vírus presente.  Portanto, raramente são uteis no diagnóstico de infecção aguda.

Em infecções graves os títulos de anticorpos produzidos são maiores do que em infecções leves.  Além disso, muitos indivíduos com infecções leves ou assintomáticas não produzem anticorpos, em títulos detectáveis.

Quando testar

Os anticorpos IgM começam a se positivar após o 12º dia do início dos sintomas (em 50% dos pacientes já no 10º dia), atingindo o pico perto da 2ª a 3ª semana e podem persistir por < 2 meses ou, raramente 3 meses.  Anticorpos IgG se iniciam após o 17º dia (em 80%), devendo ser pesquisados, idealmente após o 21º dia.  Após atingirem o platô, os IgG sofrem leve queda e permanecem por período indefinido, superior a 4 meses.

Testes Rápidos para Anticorpos contra Coronavírus

Usam método imunocromatográfico (ou Fluxo Lateral).  São pouco sensíveis e muito inespecíficos, especialmente quando usado com sangue capilar (ponta do dedo), onde a sensibilidade cai muito.  Não permitem a quantificação da resposta.  São baratos e rápidos, mas de eficácia questionável.  Além disso, a maioria mede anticorpos anti-nucleocapsídeo, sem relação com resposta a maioria das vacinas.

Testes Sorológicos Pesquisa de Anticorpos

São os testes clássicos de pesquisa de anticorpos: análise em soro (não em sangue total) e cuja detecção depende de um sinal que gera resultado numérico (métodos: AFIAS, ELISA, CLIA, ECLIA, etc.), permitindo avaliar os títulos de anticorpos ou a intensidade da resposta imune.  O iacs usa os métodos Ensaio Imunofluorescente Automatizado (AFIAS), Eletroquimioluminescência (ECLIA) e Quimioluminescência (CLIA), dosando anticorpos das classes IgM e IgG ou anticorpos totais (IgM+IgG+IgA).

Especificidade do anticorpo pesquisado (proteína viral/antígeno do teste).

Diferentes anticorpos podem ser detectados de acordo com o tipo de teste usado:

  • Anticorpos anti-Nucleocapsídeo (surgem precocemente)
  • Anticorpos anti-Spike (mais relacionados a proteção)

O IACS usa um algoritmo para o diagnóstico sorológico de infecções por coronavírus: inicialmente pesquisando anticorpos anti-nucleocapsídeo (anticorpos totais) e confirmando os positivos com a pesquisa de anticorpos anti-Spike RBD (IgM) e anti-Spike (IgG).  Não recomendamos a pesquisa antes do 21º dia após o início dos sintomas.  Não está demonstrado qual nível de anticorpos spike produz proteção, embora essa correlação exista.

Pesquisa de Anticorpos Neutralizantes (substituto de neutralização com ensaio “in vitro”).

Anticorpos neutralizantes são aqueles capazes de bloquear a ligação do vírus ao receptor celular nas células humanas.  Portanto, “neutralizam” a infecciosidade do vírus.

Estes ensaios usam a proteína ACE2 (Receptor celular) e proteínas virais Spike.  A presença de anticorpos neutralizantes no soro de um paciente bloqueia a ligação da proteína viral Spike ao receptor ACE-2, gerando uma diminuição do sinal que seria gerado pela interação ACE2-Spike.

Esse tipo de teste foi inventado para uso comercial pela primeira vez nesta pandemia. Assim, não há grande experiência acumulada com seu uso, mas já foi demonstrado que anticorpos neutralizantes podem ser tanto de classe IgM quanto IgG.  Entretanto, o teste não distingue a classe de anticorpos, medindo apenas a presença de anticorpos neutralizantes totais.

Anticorpos neutralizantes são produzidos simultaneamente a anticorpos não neutralizantes (“ligantes”), medidos por testes sorológicos usuais.  Recomendamos não fazer a pesquisa antes do 21º dia após início dos sintomas.  A duração desses anticorpos não foi estabelecida.  Estes anticorpos podem ser gerados tanto por infecção quanto por vacinação.

Avaliação de Resposta Vacinal vs Resposta a Infecção por Coronavírus

A avaliação de resposta vacinal dependerá do tipo de vacina administrada:

  • Em resposta à vacinas de vírus inativado (ex: CORONAVAC/Sinovac-China; BBIBP-CorV/Sinopharm-China; Bharat/India) ou de vírus atenuado (VALNEVA/France), tanto anticorpos anti-nucleocápsideo quanto anti-Spike são gerados.

 

  • Em resposta a vacinas baseadas em Spike, apenas anticorpos anti-Spike são gerados. Diferentes vacinas anti-Spike, de acordo com imunizante:
    • Proteína Spike (COVAX-19/Vaxine Pty/Australia; NVX-CoV2373-Novavax/EUA),
    • Peptídeos de Spike (EpiVacCorona/Russia),
    • DNA plasmidial codificando o gene Spike (AG0301/Japão; INO-4800/Coreia),
    • RNA codificando gene Spike (mRNA-1273- Moderna/NIAID-EUA; Pfizer/BioNTech/Fosun-Sinopharma; CureVac/Alemanha),
    • Adenovírus codificando Spike (ChAdOx1 Oxford/AstraZeneca; Ad5-nCoV-CanSino; Sputnik V Ad/Russia; Ad26.COV2.S/Janssen/Belgica),
    • Outros vírus carregando gene Spike: Vírus Estomatite Vesicular (IIBR/Israel); Lentivirus (COVID-19/aAPC/China).

A resposta de anticorpos à vacina deverá ser pesquisada apenas após um mínimo de 21 dias da segunda dose, para o caso de vacinas que exigem uma segunda dose, idealmente 1-2 meses da última dose, de modo análogo ao que ocorre com a vacinação para Hepatite B.

Tabela Comparativa dos Testes Laboratoriais em COVID-19 para Coronavírus SARS-CoV2

Tabela Comparativa dos Testes Laboratoriais em COVID-19 para Coronavírus SARS-CoV2

 

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