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  • 30junho
  • Informativo

BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA X INFECÇÃO URINÁRIA

Nº184 - outubro - 2017

Infecções urinárias não complicadas

 A infecção do trato urinário é uma das infecções bacterianas mais comuns e a maioria delas ocorre em pacientes saudáveis, jovens, que não estão grávidas, sem suspeita de DST e que apresentam um ou mais sintomas e sinais clássicos: como urgência, polaciúria, disúria e hematúria de aparecimento súbito, dor supra-púbica, sensibilidade costo-vertebral e por vezes febre. Estas são as infecções urinárias não complicadas e há consenso que exames de laboratório seriam até dispensáveis para o diagnóstico desde que na presença de comemorativos clínicos confiáveis.

 Infecções urinárias complicadas

 As outras infecções urinárias sintomáticas, tanto em homens como em mulheres, são consideradas complicadas porque o paciente apresenta comorbidades que podem facilitar a infecção como obstruções do trato urinário, esvaziamento incompleto da bexiga, modificações estruturais do trato urinário e outras alterações que devem ser diagnosticadas e acompanhadas com cultura de urina, identificação bacteriana e antibiograma. Estas são as infecções urinárias complicadas.

Bacteriúria assintomática

 Bacteriúria assintomática é uma condição em que bactérias estão presentes em uma amostra de urina não contaminada em pacientes sem sinais e ou sintomas de infecção urinária. A falha em reconhecer a bacteriúria assintomática como condição diferente de infecção urinária tem consequências negativas principalmente em relação ao uso desnecessário de antibióticos. A bacteriúria assintomática é importante em alguns poucos pacientes, no entanto, é uma condição comum em determinados grupos populacionais e sua prevalência aumenta com a idade gerando tratamentos desnecessários. Na realidade, o tratamento é impositivo para as mulheres grávidas por causa do risco aumentado em desenvolver pielonefrite, parto prematuro ou recém-nascido d e baixo peso, em procedimentos urológicos com sangramento de mucosa pois estes pacientes têm risco de bacteremia ou septicemia. A pesquisa de bacteriúria assintomática em mulheres grávidas é recomendada entre a 12ª e 16ª semanas de gestação. Pelo menos uma cultura de urina é necessária no fim do primeiro trimestre e no segundo ou início do terceiro. O diagnóstico de laboratório é feito com o isolamento por duas vêzes consecutivas de, pelo menos, 100.000 col/mLda mesma espécie bacteriana. Para homens uma só amostra com, pelo menos, 100.000 col/mL é suficiente Oque se verifica no dia a dia é o tratamento desnecessário de vários pacientes nos quais são encontradas alterações no exame de urina ou na cultura que não correspondem à infecção urinária e sim à bacteriúria assintomática, o que contribui para o aumento de resistência aos antibióticos, efeitos adversos relacionados às drogas, interações medicamentosas prejudiciais e infecções oportunistas como a diarreia pelo Clostridium difficile.

 Alterações na coleta do exame de urina

 A colheita de urina é uma questão da maior importância, principalmente em mulheres. Quando o material é trazido de casa, via de regra não é colhido o jato médio que é o correto. É colhida a totalidade do jato urinário e o material em geral vem contaminado com flora vaginal ou perineal, apesar das instruções oferecidas. No material colhido no próprio laboratório nem sempre é lograda uma assepsia bem feita. Nossos colaboradores orientam como deve ser feita a assepsia e a resposta, entre outras, é “acabei de tomar banho em casa”. Elas têm grande resistência em sentar no vaso ou bidê e não aceitam uma colheita assistida. Daí o encontro de bactérias que não exprimem nenhuma anormalidade urinária. Outro encontro habitual é a piúria e sua presença isolada não é indicação para o tratamento de infecção urinária. A piúria é evidência de processo inflamatório no sistema gênito urinário e que pode ser encontrada em pacientes cateterizados, em doenças sexualmente transmitidas, tuberculose renal, pneumonia e condições não infecciosas como a nefrite intersticial entre outros. Por outro lado, a ausência de piúria é um forte indício de que não existe infecção urinária. Para evitar o encontro daquelas alterações, e o tratamento do resultado do exame em lugar do tratamento do paciente, a cultura de urina não é recomendada:

 1-Nopré-operatório, exceto em cirurgias urológicas.

 2- Quando cateter é colocado ou trocado.

 3-Na admissão.

 4 - Após tratamento de infecção u r i n á r i a , para documentar cura.

 5-Quando o paciente não apresenta sintomas de infecção do trato urinário.

 6-Quando houver mudança de cor, odor ou turvação da urina.

 Bibliografia J Clin Microbiol. Sep2011 Clin Microbiol Infect2017 MedscapeMay2017 MedscapeMar2017 Medscape Aug2015 Medscape Aug2017 Am.J.Med130jan2017 AgeAgeing2000297/98 Geriatrics201212 www.publichealthontario.ca/UTI

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